Esboço e Breve Reflexão
Um Breve Estudo No Livro De Levítico
Pastor Washington Roberto Nascimento
"Falou mais o Senhor a Moisés, dizendo: Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou Santo" (Lv. 19;1-2).
O título
1. No hebraico, língua em que o livro foi escrito, o título encontra-se no primeiro verso, trata-se da primeira palavra do livro: “E chamou” - וַיִּקְרָ֖א - (lê-se: vaikrá) –
2. O vav conjuntivo , “ ו“ - (lê-se: vav) - traduzido como conjução aditiva: “e”, em Portugês, é muito importante, pois mostra que este livro está ligado ao anterior.
3. O título em Português vem do latim – LEVITICUS - que por sua vez vem do grego Λενίτικον - (lê-se: levíticon) - e significa: “Aquilo que diz respeito aos Levitas”.
4. O título em Português pode nos levar ao erro, pois o conteúdo deste livro não fala necessariamente dos Levitas, da tribo, mas dos sacerdotes que eram levitas. Na verdade, nem todos os levitas eram sacerdotes. A tradução do título do Livro de Levítico para o Grego no 3º século a.C. não foi literal, mas interpretativa.
5. O livro foi escrito para os filhos de Israel, o povo de Deus, e não apenas para uma tribo de Israel como, erroneamente, poderíamos pensar por causa do título.
“Da Tenda do Encontro o Senhor chamou Moisés e lhe ordenou:
"Diga o seguinte aos israelitas”(Lv. 1:1-2).
Autoria
1. A Tradição hebraica, judaica, dá como certa a autoria mosaica para este livro e para os demais livros do Pentateuco.
2. Jesus atribui este livro a Moisés (Mt. 8:1-4; Lv. 14:1-4).
3. Cerca de 56 (cinqüenta e seis) vezes é declarado em Levítico que o seu conteúdo foi dado a Moisés por parte de Deus, o Senhor (Lv. 1:1-2; 4;1; 5:14; 6:1; etc). Mas isso não significa que Moisés escreveu esses livros do Pentateuco. Tudo existiu primeiramente em tradição oral, depois de certo tempo é que temos o registro escrito de tal tradição. A autoridade do texto é mosaica (em termos orais), como a autoridade dos Evangelhos no Novo Testamento é de Jesus, são registros sobre Jesus, sobre suas obras, ensinos, nascimento, morte, ascensão, etc. por diferentes pessoas. A mesma coisa temos no Pentateuco - Fontes J, E, P e D - isto é, Javista, Eloista, Sacerdotal e Deuteronomística, entre outras. A letra P representa um escritor Sacerdotal porque em alemão (como em inglês) o substantivo sacertode é: Priester (em inglês: Priest). Foi o estudioso alemão Julius Welhausen (1844-1918) que primeiro propos essa teoria das fontes literárias do Pentateuco.
A data
1. A data deste livro varia entre o século XV a.C. ao século XIII a.C.
2. Primeiro mês, do segundo ano, do primeiro dia, até o segundo mês, do segundo ano, no primeiro dia (Êx. 40:17 e Nm. 1:1).
Jesus Cristo e o Livro de Levítico
1. O melhor comentário de Levítico é a Carta aos Hebreus no Novo Testamento (Hb. 10:1-18).
2. Todas as ofertas e sacrifícios apontavam para Jesus.
3. Todas as festas apontavam para Jesus.
4. Todos os sacerdotes no desempenho de seus ofícios apontavam para Jesus.
Conclusão
1. Uma das palavras chaves deste livro é: Santidade/Santo (Lv. 19:2). Precisamos ser santos porque o Senhor nosso Deus é Santo (I Pd. 1:15-16).
2. Sem derramamento de sangue não há remissão de pecado (Lv. 17:11 e Hb. 9:22; I Jo. 1:7).
3. O homem pecador só pode se aproximar do Deus santo através da fé no sangue de Jesus (Jo. 1:29,36; I Jo. 7).
4. O homem pecador é convocado por Deus a ter uma vida santa porque Ele, o Senhor, que o resgatou, é Santo (Lv. 20:7-8).
5. Para ter uma vida santa é preciso obedecer a lei do Senhor. Mas a letra mata, porém o Espírito vivifica (II Co. 3:6).
6. Por isso, precisamos fazer uma leitura de Levítico, e de todos os demais livros da Bíblia, indo além da mera letra. O que, aliás, o nosso Salvador e Mestre, Jesus Cristo, nos ensinou ao falar sobre o nosso relacionamento com Deus e com o próximo: a guarda do sábado, o adultério, o homicídio, o que contamina o homem etc.
7. Este livro trata do culto a Deus.
Hoje o culto ao Senhor precisa ser em espírito e em verdade, com um coração quebrantado e contrito” (Sl. 51:16-17; Jo. 4:23-24).
Todas as festas, sacrifícios, ofertas e dias especiais previstos em Levítico foram sombras dissipadas, quando a Luz brilhou através de Jesus Cristo, o Filho de Deus (Hb. 10:1).
“A Lei traz apenas uma sombra dos bens que hão de vir, e não a realidade dos mesmos. Por isso ela nunca consegue, mediante os mesmos sacrifícios repetidos ano após ano, aperfeiçoar os que se aproximam para adorar”.
Pastor Washington Roberto Nascimento
Um breve comentário no livro de Levítico
Pastor Washington Roberto Nascimento
Gênesis fala do pecado, Êxodo fala da salvação e Levítico fala do culto a Deus e da santidade.
O propósito do livro de Levítico é revelar a santidade absoluta de Deus e as condições nas quais nós podemos ter comunhão com ele. Este Livro é para um povo já resgatado. Você passa pelo Êxodo para apreciar o livro de Levítico.
As palavras sangue, sacerdote, santidade, entre outras, são muito importantes neste livro.
A palavra sangue, em hebraico, דָּם - (lê-se: dam), aparece 360 vezes na Bíblia Hebraica, das quais 88 vezes no livro de Levítico.
O sangue é vida. Deus nos ensina dessa maneira o alto preço do pecado. É dentro desse contexto que aprendemos que tudo aponta para Jesus, que com seu sangue nos redimiu e nos limpou (Hb. 9:14).
No livro de Levítico os crentes apresentavam a Deus os seus sacrifícios por meio de um sacerdote. Havia vários sacrifícios e ofertas para as mais diferentes situações da vida.
Mas não nos enganemos, no Livro de Levítico não há apenas leis que falam dos sacrifícios, ofertas, sangue e sacerdotes. Há leis que falam da ética em nossas relações familiares, comerciais e sociais. E é interessante observar que por dezenas de vezes nós encontramos a declaração da autoria de todas essas instruções: o Senhor Deus (Lv. 1:1; 4:1; 5:14; 6:1, 19, 20, 24; 7:20; 8:1; 10:8; 11:1, 44; 12:1; 13:1; etc.).
No Novo Testamento Jesus se apresenta como um sacrifício único e suficiente para todos os nossos pecados e para toda e qualquer situação, cumprindo, de maneira satisfatória e plena, o que lemos no livro de Levítico e em Isaías 53. Além disso, Jesus é, à luz do Novo Testamento, o sacerdote perfeito, misericordioso e justo, que intercede por nós para sempre (Jo. 1:29, 36; I Co. 5:6-8; Hb. 2:17-18; 5:10; 7:15-28; 9:22; I Jo.1:7; I Pd. 1:18-20; Lv. 17:11).
Outra palavra/ideia/ensino importante no livro de Levítico é santidade, que vem da palavra santo - קָדוֹשׁ – (lê-se: Kadosh). Essa palavra aparece 161 vezes na Bíblia Hebraica, das quais 20 vezes em Levítico (Lv. 6:26 {2x}; 6:27; 7:6; 10:13; 11:44 {2x}; 11:45 {2x}; 16:24; 19:2 {2x}; 20:7; 20:26 {2x}; 21:6, 7, 8 [2x}; 24:9). Deus é santo e espera que seus filhos sejam santos, puros, limpos. Isso só foi possível por meio do sangue de Jesus Cristo, Filho de Deus (Lv. 19:2; 20:17-18). Em Cristo somos declarados puros, limpos. Somos santificados pela Palavra. Cristo é a Palavra (Jo. 1:1; 17:17). O substantivo santo e o verbo santificar têm a ideia de separado, dedicado, consagrado. Uma pessoa santa é uma pessoa consagrada por Deus e para Deus (Jo. 17:15-18). Não significa fugir do mundo, mas viver no mundo para Deus, para sua honra e glória, como sal da terra e luz do mundo (Mt. 5:13-16).
Outra palavra que merece destaque no livro de Levítico é sacerdote - כֹּהֵן – (lê-se: koren). Ela aparece 750 vezes na Bíblia Hebraica, das quais 194 vezes no livro de Levítico.
Nenhum outro livro da Bíblia tem mais ocorrências dessas palavras – sangue, santo, sacerdote - que as que temos em Levítico.
Quando lemos sobre a morte dos sacerdotes, filhos de Arão (Lv. 10:1-2), e da própria fragilidade e imperfeição de Arão (Nm. 12:1-16) e todos os demais sacerdotes, nós suspiramos aliviados e felizes quando encontramos com Jesus, o nosso perfeito e misericordioso sumo sacerdote (Hb. 4:14-15).
Todos os sacerdotes em suas funções, todas as festas, ofertas e sacríficos, todo o sangue derramado, até o tabernáculo (Lv. 26:11; Jo. 1:14), símbolo da presença de Deus, tudo aponta para Jesus Cristo. Nele tudo se realiza, alcança a sua plenitude.
Todas as festas, sacrifícios, ofertas, dias especiais e sacerdotes que lemos em Levítico foram sombras dissipadas, quando a Luz brilhou através de Jesus Cristo, o Filho de Deus (Hebreus 10:1).
O maior e melhor comentário de Levítico é a Carta aos Hebreus no Novo Testamento.
Toda a lei no Antigo Testamento traz apenas uma sombra dos bens que haveriam de vir, e vieram através da obra, ensino e vida de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A Lei no Antigo Testamento é uma sombra da realidade, e não a própria realidade. A sombra da verdade, mas a verdade mesmo é Jesus.
O conteúdo de Levítico e de todas as Leis no Antigo Testamento são equivalentes ao conteúdo de um programa de ensino do Jardim de Infância na História da Revelação de Deus.
A revelação de Deus é progressiva. Hoje, por causa dos ensinos do Novo Testamento, do sacrífico de Jesus, não precisamos em nossos cultos oferecer o que o livro de Levítico ensina.
Sabemos que o culto ao Senhor precisa ser em espírito e em verdade, com um coração quebrantado e contrito (Salmo 51:16-17; João 4:23-24).
Através de nosso corpo, mente e coração, somos o sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Em resposta de gratidão ao Senhor, por seu grande amor por nós, nós nos oferecemos a Ele, tudo que somos, temos, consagramos a Ele.
E é isso que o apóstolo Paulo chama de culto racional, inteligente. Portanto, que não nos conformemos com este mundo de pecados, injustiças, mentiras, ilusões, mas que nos transformemos através da renovação da nossa mente, de nosso ser interior, a fim de experimentar qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
Um forte abraço.
Pastor Washington Roberto Nascimento
Apêndice - Material complementar para aprofundar a compreensão do livro de Levítico
Algumas considerações sobre o Livro de Levítico na Bíblia
Pastor Washington Roberto Nascimento
1. Precisamos não apenas ler o texto bíblico, precisamos saber lê-lo. Esse princípio é importante para toda a Bíblia e de maneira especial para o livro de Levítico e várias outras partes de vários livros do Antigo Testamento.
2. Na segunda metade do livro de Êxodo (Êx. 25-40) até o final do livro de Levítico, o foco muda para descrever o tabernáculo, as vestes sacerdotais e o sistema sacrificial levítico envolvendo a pessoa do sacerdote, seu ofício, os sacrifícios, etc.
3. Para fazer a leitura desses textos sobre os sacrifícios, as ofertas, os sacerdotes, suas roupas e deveres, é preciso se preparar espiritualmente e mentalmente, pois caso contrário, podemos ignorá-los completamente esses capítulos apontam claramente para o futuro trabalho e ministério de Jesus.
4. Podemos nos chocar com os sacrifícios de animais (Lv. 1:1-17) e com as ofertas de cereais (Lv. 2:1-16) para Deus. Por isso que é importante saber ler:
4.1. Compreender o contexto histórico e cultural – eram práticas comuns a todos os povos daquele tempo e, infelizmente, tais práticas ainda existem em alguns lugares por parte de algumas pessoas.
4.2. Compreender que todos esses sacrifícios e ofertas eram sombras do sacrifício e oferta de Jesus Cristo. O tabernáculo e o templo também apontam para Jesus. São sombras, imagens, tipos, figuras da pessoa e obra de Jesus Cristo (Hb. 10:1; Rm. 15:4; Cl. 2:16-17).
4.3. Há informações nos textos sobre o tabernáculo, os sacrifícios e as ofertas que podemos não entender, por causa da distância, do lugar, da língua, etc. Mas certamente os seus destinatários imediatos entenderam.
4.4. Não devemos perder tempo com questões da lei (da Torah) que já consideramos vencidas com base na revelação de Jesus Cristo no Novo Testamento. Podemos e devemos saber, estudar, mas não discutir tolamente essas coisas.
Veja o conselho do apóstolo Paulo a Tito (Tt. 3:4-9).
Porém, quando Deus, o nosso Salvador, mostrou a sua bondade e o seu amor por todos, ele nos salvou porque teve compaixão de nós, e não porque nós tivéssemos feito alguma coisa boa. Ele nos salvou por meio do Espírito Santo, que nos lavou , fazendo com que nascêssemos de novo e dando-nos uma nova vida. Deus derramou com generosidade o seu Espírito Santo sobre nós, por meio de Jesus Cristo, o nosso Salvador. E fez isso para que, pela sua graça, nós sejamos aceitos por Deus e recebamos a vida eterna que esperamos. Esse ensinamento é verdadeiro. Quero que você, Tito, insista nesses assuntos, para que os que creem em Deus se interessem em usar o seu tempo fazendo o bem. Isso é bom e útil para todos. Mas evite as discussões tolas, as longas listas de nomes de antepassados , as brigas e os debates a respeito da lei dos judeus. Essas coisas são inúteis e sem valor (Tt. 3:4-9).
5 A palavra sangue, em hebraico, דָּם - (lê-se: dam), aparece 360 vezes na Bíblia Hebraica, das quais 88 vezes no livro de Levítico (Lv. 1:5 {2x}; 1:11,15; 3:2,8,13,17; 4:5; 4:6 {2x}; 4:7 {2x}; 4:16,17,18 {2x}; 4:25 {2x}; 4:30 {2x}; 4:34 {2x}; etc.). O eco dessa palavra se fez ouvir em Hebreus 9:22-28 e em outros textos do Novo Testamento, sempre apontando para o Sangue de Jesus Cristo (I Jo. 1:7; 2:2; Ef. 1:7; Cl. 1:20; I Pd. 1:18-19; etc.).
6. Outra palavra/ideia/ensino importante no livro de Levítico é santidade, que vem da palavra santo - קָדוֹשׁ – (lê-se: Kadosh). Essa palavra aparece 161 vezes na Bíblia Hebraica, das quais 20 vezes em Levítico (Lv. 6:26 {2x}; 6:27; 7:6; 10:13; 11:44 {2x}; 11:45 {2x}; 16:24; 19:2 {2x}; 20:7; 20:26 {2x}; 21:6, 7, 8 [2x}; 24:9). Os sacerdotes, os levitas, o povo, todos deviam ser santo porque Deus é Santo. Tudo isso aponta para Jesus, o Filho de Deus, que no Novo Testamento é chamado de Santo (Mc. 1:24; Lc. 4:34; Jo. 6:69; At. 13:35; Ap. 3:7; 16:5).
7. Outra palavra que merece destaque no livro de Levítico é sacerdote - כֹּהֵן – (lê-se: koren). Ela aparece 750 vezes na Bíblia Hebraica, das quais 194 vezes no livro de Levítico. Os sacerdotes no Antigo Testamento apontavam para Jesus Cristo. No Novo Testamento Jesus é chamado de Grande Sacerdote. bondoso e fiel em seu serviço a Deus, para que os nossos pecados sejam perdoados (Hb. 2:17). Ele é inigualável como sacerdote, pois é o Filho de Deus; entrou na presença de Deus; é capaz de compreender nossas fraquezas; foi tentado do mesmo modo que nós, mas não pecou (Hb. 4:14-16).
8. Nenhum outro livro da Bíblia tem mais ocorrências dessas palavras – sangue, santo, sacerdote - que as que temos em Levítico.
9. O livro de Levítico enfatiza a santidade e a importância de manter um relacionamento com Deus. Em seu conteúdo nós temos leis, rituais e diretrizes para adoração, bem como padrões éticos para os israelitas.
10. O livro de Levítico também trata das responsabilidades dos sacerdotes e levitas: qualificações sacerdotais, pureza ritual, festas anuais, ética e justiça social. Os mandamentos de Deus são importantes, Deus tem um padrão para os líderes e o povo em geral, Deus quer que sejamos santos.
11. No primeiro século o Cristianismo se tornou a religião mais estranha do mundo. Imaginemos um romano ou um judeu ou grego conversando com um cristão. Esses religiosos perguntam para um cristão: Onde é o seu templo? A resposta é: Nós não temos templo. Segunda pergunta: Quando é o dia do sacrifício de vocês? Nós não temos mais sacrifício. Tivemos um sacrifício perfeito, final e definitivo: Jesus Cristo, o Filho de Deus. Terceira pergunta: Quem é o seu sacerdote? Onde e quando ele trabalha? O nosso sacerdote é Jesus Cristo, ele se encontra sentado à direita de Deus Pai, e assim ele intercede por nós. O Cristão, então, completaria a explicação: Jesus Cristo é o nosso templo, sacerdote e sacrifício. A semelhança de Jesus Cristo, nosso Salvador, Mestre e Senhor, nós somos, também, o templo de Deus, do Seu Espírito. Porque Deus é Espírito e importa que aqueles que o adoram, o adorem em Espírito e em verdade (Jo.3:24).
Diante de tudo isso, os judeus, romanos e gregos, que há dois mil anos tinham os seus templos, sacerdotes e sacrifícios de animais, ficaram sem entender como uma religião como o Cristianismo poderia sobreviver, pois era diferente de tudo que poderia se pensar de religião naquele tempo.
12. Alguns exemplos na Torah (Pentateuco) que apontam para Jesus Cristo no Novo Testamento:
12.1. O animal do sacrifício devia ser: - תָּמִים – (lê-se: tamim) - Completo, inteiro, perfeito, irrepreensível, sem mácula, sem defeito (Êx. 12:5; 29:1; Lv. 1:3,10; 3:1,6; 4:3,23,32,28,32; 5:15,18; 6:6; 9:2,3; 14:10; 22:19,21; 23:12,18; etc.). Este sacrifício sem defeito aponta, também, para o Senhor Jesus Cristo, de acordo com o ensino do Novo Testamento. O apóstolo Pedro escreveu sobre Jesus como um cordeiro que não tinha defeito nem mancha (I Pd. 1:19). O escritor aos Hebreus disse que Jesus se ofereceu como sacrifício sem defeito (Hb. 9:14). O apóstolo Paulo disse que por meio da morte de Jesus Cristo, Deus, o Pai, fez com que nós ficássemos seus amigos, Ele nos trouxe a Sua presença não tendo nenhuma mancha nem culpa (Cl. 1:21-22).
Todo o ensino no livro de Levítico e no Antigo Testamento como um todo foi interpretado, no Novo Testamento, como relacionado a pessoa de Jesus (I Pd. 1:19).
12.2. O animal mencionado nos textos bíblicos acima era sacrificado, principalmente, por causa do pecado que as pessoas cometiam (Êx. 29:1,14; Lv. 1:3,4; 4:23-24; etc.).
13. A teologia do Sacrifício Substitutivo – Este é um conceito teológico central para a soteriologia cristã. Pela fé aprendemos no Novo Testamento que Jesus Cristo morreu como um substituto para os pecadores, suportando a punição que era deles por direito.
Esta doutrina está enraizada na compreensão da expiação e redenção conforme apresentadas na Bíblia, onde o sistema sacrificial do Antigo Testamento prefigura o sacrifício final de Jesus Cristo no Novo Testamento.
14. Fundamentos do Antigo Testamento para uma teologia substitutiva - O conceito de sacrifício substitutivo está profundamente enraizado no sistema sacrificial do Antigo Testamento.
A prática de oferecer sacrifícios para expiação é vista pela primeira vez no relato de Caim e Abel, onde a oferta de Abel é aceita por Deus (Gn. 4:4). O princípio da substituição é demonstrado mais explicitamente no relato de Abraão e Isaque, onde Deus fornece um carneiro como substituto de Isaque (Gn. 22:13).
A Lei Mosaica institucionaliza ainda mais o sacrifício substitutivo por meio do sistema levítico. O Dia da Expiação, ou Yom Kippur - יוֺם כִּפֻּר - (lê-se: yom kippur - Lv. 23:27,28; 25:9), é um exemplo significativo, onde o sumo sacerdote oferece um touro e um bode como ofertas pelo pecado para si mesmo e para o povo, respectivamente (Levítico 16:6-10). O bode expiatório, que simbolicamente carrega os pecados do povo e é enviado para o deserto, também ilustra a ideia de substituição (Levítico 16:21-22).
O Dia da Expiação acontece no dia dez do sétimo mês do calendário judaico, mês de setembro no nosso calendário.
O termo bíblico hebraico - יוֺם כִּפֻּר - (lê-se: yom kippur - Lv. 23:27,28; 25:9) – significa: dia do perdão, da reconciliação, reparação pelo pecado (erro) cometido.
A palavra kippur - כִּפֻּר - (lê-se: kippur) aparece seis vezes apenas na Bíblia Hebraica, mas tem um enorme significado (Êx. 30:10; Lv. 23:27,28; 25:9; Nm. 5:8; 29:11).
15. Antecipação Profética do sacrifício final (perfeito, definitivo)
Os profetas do Antigo Testamento falaram sobre um sacrifício futuro e definitivo que cumpriria e superaria a expiação temporária fornecida pelos sacrifícios de animais, como podemos ver no livro de Levítico. Isaías 53 é uma passagem fundamental, frequentemente referida como a profecia do "Servo Sofredor", que descreve um servo que "foi traspassado pelas nossas transgressões, foi moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz paz estava sobre Ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados" (Is. 53:5). Esta passagem é vista como um claro prenúncio da morte substitutiva de Jesus Cristo, o Filho de Deus, o Servo do Senhor.
16. O Cumprimento no Novo Testamento do sacrifício final (perfeito, definitivo)
O Novo Testamento apresenta Jesus Cristo como o cumprimento do sistema sacrificial do Antigo Testamento. João Batista identifica Jesus como "o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (Jo. 1:29,36), ligando-o diretamente aos cordeiros sacrificiais da Antiga Aliança. O apóstolo Paulo articula a doutrina da expiação substitutiva em várias de suas epístolas. Em 2 Coríntios 5:21, ele escreve: "Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele fôssemos feitos justiça de Deus".
A Epístola aos Hebreus trata da superioridade de Jesus Cristo e do seu sacrifício superior e melhor que os sacrifícios do Antigo Testamento, afirmando: "Mas, quando este sacerdote ofereceu para sempre um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à direita de Deus" (Hb. 10:12; 9:11-14). Isso ressalta a finalidade e a suficiência da obra expiatória (redentora) de Jesus Cristo.
Em Atos 8:27-35, encontramos o registro de Lucas sobre a exposição bíblica de Felipe para o Etíope, com base no texto de Isaías 53. Jesus é a ovelha muda que foi levado ao matadouro e sofre o castigo que nós merecíamos.
17. As Implicações teológicas
O sacrifício substitutivo é fundamental para a compreensão da salvação na teologia cristã. Ele ressalta a gravidade do pecado, a santidade de Deus e a necessidade de um sacrifício perfeito para reconciliar a humanidade com Deus. A doutrina afirma que a morte de Cristo não foi meramente um exemplo de amor ou uma demonstração de influência moral, mas um ato vicário que satisfez a justiça divina.
O apóstolo Pedro trata dessa verdade em sua primeira epístola: "Ele mesmo levou em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para o pecado, vivêssemos para a justiça. Por suas pisaduras vocês foram sarados" (1 Pedro 2:24). Essa passagem destaca o poder transformador do sacrifício substitutivo de Cristo, oferecendo aos crentes não apenas perdão, mas também uma nova vida em justiça.
Pastor Washington Roberto Nascimento