Um Breve Estudo No Livro dos Juízes

Data publicação 28/11/2016

Estudo e Reflexão 

Um Breve Estudo No Livro de Juízes

Pastor Washington Roberto Nascimento

Título

1. O título deste livro vem do capítulo 2:16.

“E levantou o Senhor juízes, que os livraram da mão dos que os roubaram”.

2. O título deste livro em Português segue o título original em Hebraico, שֹֽׁפְטִ֑ים  - (lê-se: sheftim); em Grego, Κριται - (lê-se: kritai) e Latim, Iudicium (lê-se: iudicium).

3. O leitor da Bíblia não deve interpretar (entender) o título deste livro - Juízes - como se referindo aos juízes de nossos dias que se assentam em uma cadeira em um tribunal para julgar as pessoas, dizendo quem está certo e quem está errado, e dando uma sentença, abolvendo um e condenando outro.

4. Juízes - o título do livro - eram pessoas ungidas por Deus, apesar de suas falhas, para serem líderes salvadores de Israel, num dos períodos mais tristes em termos espirituais da história bíblica no Antigo Testamento. O contraste é notório quando se compara a história de Israel no livro dos Juízes com a história de Israel no livro de Josué.

Data

1. Final do século XI a.C. este livro deve ter sido escrito por Samuel, de acordo com a tradição judaica.

Mas não há como negar os traços de um redator final no século VIII a.C. depois do cativeiro do Reino do Norte, por volta do ano 720 a.C. veja, como exemplo, o texto de Juízes 18:30.

2. A sentença: “naqueles dias não havia rei em Israel”, que aparece várias vezes no livro dos Juízes (Jz. 17:6, 18:1, 19:1, 21:25), revela que o livro descreve um tempo antes da monarquia, que começou com o rei Saul, mas foi escrito no período da monarquia É importante observar que uma coisa é a data do evento, outra coisa é a data do registro do evento. O livro de Juízes foi escrito quando havia rei em Israel, mas fala de coisas que aconteceram antes desse período.

Juízes e Jesus Cristo

¨Cada juiz aponta para pessoa e obra de Jesus Cristo: Eles eram libertadores, salvadores, líderes, guerreiros que apontavam para o Filho de Deus, que a todos excede.

Lições Gerais

1. Eis a síntese do livro dos Juízes  - uma breve divisão  do conteúdo do livro (2:11-23)

1.1. Apostasia.

1.2. Punição.

1.3. Arrependimento.

1.4. Livramento.

1.5. Apostasia.

Este esboço, acima, em 5 pontos, fala de um círculo vicioso na história de Israel. Trata-se de uma cadeia complexa de eventos (apostasia, punição, etc.) que se reforça através de um loop de feedback, com resultados prejudiciais.

O loop de feedback deste período da história do povo de Deus descreve uma sequência de eventos que se retroalimentam, sem início ou fim definidos, formando um loop negativo, como um círculo.

Esse período da história de Israel deve ser entendido como um cclo repettivo e negativo, um processo que teve uma retroalimentação automática, nefasta e indefinida. Só uma intervenção divina e graciosa foi capaz de por fim a esse loop - círculo - tempo de trevas.  

2. Eis a razão de tantos fracassos do povo de Deus:

"Cada um fazia o que achava certo aos seus próprios olhos” (21:25).

3. Esboço do livro:

3.1. A razão dos juízes (1:1-3:4).

3.2. A história de 12 juízes (3:5-16:31).

3.3. Exemplos negativos (17-21).

4. Alguns juízes são citados como exemplos de fé (Hebreus 11:32).

5. Nenhum dos juízes foi perfeito. Deus usa pessoas imperfeitas como nós para fazer a obra dele.

6. Deus não se preocupa com quantidade, mas qualidade (7:1-7).

7. Enquanto o Livro de Josué apresenta a Conquista da Terra Prometida de um ponto de vista nacionalista, épico; Juízes apresenta a mesma história do ponto de vista crítico, não nacionalista, lento e cheio de fracassos.

8. Parece que o autor do Livro de Juízes quer mostrar a necessidade/importância da Monarquia. A anarquia e o caos da nação parecem ser explicados, elucidados, pelo autor com a seguinte tese: “Não havia rei em Israel naqueles dias” (Jz. 21:25). O escritor bíblico deste livro parece ser um defensor da monarquia.

Pastor Washington Roberto Nascimento

O Livro de Juízes – Uma breve reflexão.

Pastor Washington Roberto Nascimento.

O Livro de Juízes na Bíblia é o equivalente ao período ou idade das trevas na história. A frase chave deste livro é: “Cada um fazia o que parecia reto aos seus próprios olhos” (Jz. 17:6; 21:25).

Ao compararmos o livro dos Juízes com o livro de Josué, podemos fazer o seguinte paralelo: Enquanto em Josué temos alegria, em Juízes temos tristeza. No primeiro temos a visão celestial; no segundo os interesses terrenos; em Josué temos a vitória, em Juízes temos a derrota; no primeiro temos o progresso, no segundo temos o declínio (a paralisação); em Josué temos a fé, em Juízes a incredulidade; no primeiro temos a santidade, no segundo a apostasia; em Josué temos a ordem, em Juízes a confusão.

O Livro de Juízes segue uma estrutura que revela um ciclo desastroso: Primeiro temos o pecado, em seguida a opressão, depois o arrependimento e clamor a Deus, em seguida a resposta do Senhor que levanta um líder para libertar e conduzir o seu povo, mas depois que o líder morre, o povo volta a pecar, cada um fazia o que parecia bem aos seus próprios olhos, e assim o ciclo reinicia com pecado, opressão, etc.

A pergunta que você precisa responder é a seguinte: Você está fazendo o que parece bem aos seus próprios olhos? Então, cuidado. Imagina o caos se cada pessoa começa a fazer o que parece bem aos seus olhos em casa, na igreja, na escola, no trabalho, no trânsito, etc.

Neste livro nós encontramos, também, claramente o retrato do coração do homem sempre inclinado a se afastar de Deus, e, do outro lado, em sentido oposto, o coração de Deus, cheio de graça e misericórdia, sempre pronto a perdoar, salvar, levantar líderes para guiar o Seu povo.

Os líderes não eram perfeitos. Longe disso, mas eram pessoas chaves, escolhidas por Deus para, na vida do Seu povo e pela Sua graça, para serem usados para tirar o povo da escravidão não apenas política, mas espiritual e leva-los a uma vida de vitória. Que Deus abençoe a sua vida! Que você seja uma pessoa ungida por Deus para libertar vidas que estão oprimidas e escravizadas pelo pecado e pelas forças do mal! Um forte abraço.

Pastor Washington Roberto Nascimento