A oração do Pai Nosso - Uma breve análise do texto

Data publicação 07/05/2024

A oração do Pai Nosso

Os pronomes e os verbos usados para se dirigirem a Deus como pai

Pastor Washington Roberto Nascimento

Mateus 6:9-13; Lucas 11:2-4.

Baseados no Novo Testamento Grego, língua original em que o texto bíblico foi escrito, de acordo com o que lemos nos Evangelhos de Mateus e Lucas, podemos afirmar que:

1. Os pronomes possessivos, abaixo, na oração do Pai Nosso, que se referem a Deus como Pai, são todos da segunda pessoa do singular.

1.1. Santificado seja o teu nome (Mt. 6:9; Lc. 2:2).

O verbo - ἁγιάζω – (lê-se: raguiázo – santificar) está no imperativo, na terceira pessoa do singular. É um pedido, uma súplica.

1.2. Venha o teu reino (Mt. 6:10; Lc. 2:2).

O verbo - ἔρχομαι – (ércomai – vir) está no imperativo, na terceira pessoa do singular. É um pedido, uma súplica.

1.3. Seja feita a tua vontade (Mt. 6:10; Lc. 2:2).

O verbo - γίνομαι – (guínomai – tornar-se, vir a ser) está no imperativo, na terceira pessoa do singular. É um pedido, uma súplica.

1.4. Teu é o reino (Mt. 6:13).

O verbo - εἰμί – (lê-se: eimí – ser) está no presente do indicativo ativo, na terceira pessoa do singular. É declaração solene de um fato produto da fé.

2. Os verbos, abaixo, na Oração do Pai Nosso, que se referem a Deus como Pai, estão na segunda pessoa do singular.

2.1. Dá-nos o pão (Mt. 6:11; Lc. 11:3).

O verbo - δίδωμι – (dídomi – dar) está no imperativo, na segunda pessoa do singular. É um pedido, uma súplica.

2.2. Perdoa-nos (Mt. 6:12; Lc. 11:4).

O verbo - ἀφίημι – (afíemi – perdoar) está no imperativo, na segunda pessoa do singular. É um pedido, uma súplica.

2.3. Não nos guies em tentação (Mt. 6:13; Lc. 11:4).

O verbo - εἰσφέρω – (lê-se: eisféro – guiar, levar) está no subjuntivo, na segunda pessoa do singular. O subjuntivo é algo hipotético, apenas imaginação, não necessariamente real. É a expressão de um desejo que não temos, uma hipótese que não cogitamos.

2.4. Livra-nos do mal (Mt. 6:13; Lc. 11:4).

O verbo - ῥύομαι – (ríomai – livrar, resgatar) está no imperativo, na segunda pessoa do singular. É um pedido, uma súplica.

3. Considerações gerais

Podemos e devemos estudar o texto e fazer todas as análises morfológicas e sintáticas. Tudo isso é bom, importante e tem o seu lugar. Mas nosso propósito maior é ouvir o Espírito e não a letra, quando lemos a Palavra.

As palavras (as letras) são meios que Espírito usa para nos revelar o quanto o Pai nos ama.

No Novo Testamento Jesus nos ensina a falar com Deus como Pai. O nosso Deus pode ser o dono da Fábrica, o Rei, o General, o Juiz, etc. mas para os seus filhos ele é papai – abba - Ἀββᾶ.

Jesus o chamava de papai – abba - Ἀββᾶ. No Jardim, João Marcos registrou a oração de Jesus e o inesquecível invocativo: Papai! (Mc.14:36).

Em Romanos 8:15 e Gálatas 4:6, o apóstolo Paulo fala que o Espírito Santo nos ensina a orar a Deus não como escravos ou empregados, mas como filhos que chamam Deus de papai -– abba - Ἀββᾶ.

A discussão sobre qual pronome usar em nossas orações ao Pai – tu, vós ou você – é menos importante que nossa atitude interior. Em Portugal o pronome "tu" é usado para pessoas mais próximas. No sul do Brasil há preferênicia pelo pronome "tu" nas conversas do dia a dia. No sudeste do Brasil, as pessoas usam mais o pronome "você. No Pará e no Maranhão o pronme "tu" é mais usado que o pronome "você". Em muitos outros lugares no Brasil, as pessoas usam tanto "tu" quanto você. Na verdade, o pronome "você" vem de "vossa mercê". 

O mais importante na oração é o coração. Deus sonda os nossos corações (Jr. 17:10). Ele o vê (I Sm. 16:7). Quando estamos diante de Deus em oração, é preferível coração sem palavras do que palavras sem coração. 

No nosso relacionamento com o Pai, e com o próximo também, o mais importante é o afeto, a ternura, o amor, o nosso coração quebrantado e contrito. 

Um forte abraço.