Alguns Salmos de Difícil Interpretação
Professor: Pastor Washington Roberto Nascimento
Muitos salmos apresentam desafios para a compreensão moderna devido ao contexto histórico, questões de valor poético, linguístico, emocional, ético e teológico.
1. O Salmo 68 é amplamente considerado por estudiosos e comentaristas como o salmo mais desafiador, obscuro e difícil de interpretar em todo o Saltério - o livro dos Salmos.
1.1. Este salmo 68 é frequentemente descrito como uma "tortura de críticos" ou um "labirinto" devido ao seu texto hebraico fragmentado, vocabulário obscuro e imagens complexas e desconectadas.
1.2. Este salmo 68, além do que falamos acima, podemos dizer que ele é conhecido por sua desconexão, mudanças abruptas nas imagens. Seu vocabulário é raro, isto é, não é comum no Hebraico do Antigo Testamento, levando a dificuldades significativas no estabelecimento de um significado textual coerente. Inclui referências arcaicas e menções topográficas únicas que confundem não apenas os leitores, mas os interpretes e tradutores.
1.3. Algumas lições gerais que podemos aprender com base no Salmo 68:
1.3.1. O contexto bíblico relacionado ao Salmo 68
• O acampamento de Israel parou e a arca avançou (Nm. 10:35); o grito foi uma convocação literal para que Deus avançasse e derrotasse a oposição.
• No Salmo 68, Davi ecoa esse grito, celebrando as vitórias já conquistadas e antecipando triunfos futuros.
2. Reconhecendo os Inimigos de Deus Hoje
• Satanás e os poderes das trevas (Ef. 6:12; 1 Pd. 5:8).
• Ideologias falsas que se exaltam “contra o conhecimento de Deus” (2 Co. 10:4-5).
• Rebelião humana — individual ou coletiva — que se opõe ao evangelho (Jo. 3:19-20).
• O pecado que ainda trava guerra dentro dos crentes (Rm. 7:23).
3. Como podemos atender ao chamado para a batalha vitoriosa de Deus contra os seus inimigos
3.1. Crer na vitória consumada de Jesus Cristo
– Colossenses 2:15: “Ele desarmou os governantes e as autoridades e os expôs publicamente ao ridículo, triunfando sobre todos eles.”
– Romanos 16:20: “O Deus da paz em breve esmagará Satanás debaixo dos vossos pés.”
3.2. Orar com base nos ensinos da Palavra de Deus
– Declare o Salmo 68:1, Números 10:35 e 1 João 3:8 sobre situações assoladas pelas trevas.
– Peça a Deus que exponha e desmantele mentiras, imoralidade e fortalezas demoníacas.
3.3. Proclamar o evangelho, que é o poder de Deus, com ousadia (Rm. 1:15,16).
– A luz de Cristo dispersa as trevas (2 Co 4:4-6).
– Toda conversão liberta uma alma, incluindo a nossa, das garras do inimigo (At. 26:18).
3.4. Resista ao diabo diariamente
– Tiago 4:7: “Portanto, sujeitem-se a Deus. Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês.”
– Revestir-se de armadura — verdade, justiça, prontidão, fé, salvação, Palavra, oração (Ef. 6:13-18).
3.5. Renuncie ao pecado pessoal
– Confissão e arrependimento quebram as brechas, limpá-lo (1 Jo. 1:8,9).
– A pureza dispersa as trevas em nossos lares, igrejas e comunidades (Mt. 5:14-16).
3.6. Adore e regozije-se
– O louvor entroniza a Deus (Salmo 22:3) e repele a oposição espiritual (2 Cr. 20:22).
– A gratidão mantém os corações fixos em Sua supremacia, isto é, de Deus; em vez da atividade do inimigo.
3.7. Ande em obediência amorosa
– Romanos 12:21: “Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem.” – Atos de misericórdia, justiça e compaixão repelem as obras do diabo (Miquéias 6:8).
4. Síntese:
Cada vez que alinhamos nossas orações, palavras e ações com a vontade revelada de Deus, ecoamos o clamor de Davi: “Levante-se Deus; sejam dispersos os seus inimigos”.
2. Salmo 90:10.
2.1. Famoso por ter um texto “sombrio”, problemático e altamente debatido, particularmente no que diz respeito à sua visão sobre a expectativa de vida e o sofrimento humano. Este Salmo que tem sido atribuído a Moisés, mas o que é descrito sobre a velhice aos 70 e 80 anos de idade não tem coisa alguma a ver com a história de Moisés.
2.2. Moisés tinha 40 anos quando saiu do palácio para visitar os seus irmãos na escravidão (At. 7:22-23). Quarenta anos depois, com 80 anos portanto, Moisés recebe a visita do Senhor Jesus (At. 7:30; Êx. 3:1-14). A Bíblia diz que Moisés morreu com 120 anos com vigor e enxergando bem (Dt. 34:7).
2.3. Algumas Lições para as nossas vidas com no Salmo 90:10.
2.3.1. Versículo 10. - Os dias da nossa vida são setenta anos e sessenta anos. Esta parece uma estimativa baixa para a época de Moisés, visto que ele próprio morreu com cento e vinte anos (Deuteronômio 34:7), Arão com cento e vinte e três (Números 33:39) e Miriã com uma idade ainda mais avançada (Números 20:1; compare com Êxodo 2:4). Mas estes podem ter sido casos excepcionais, e certamente não temos dados suficientes para determinar qual era a duração média da vida humana no período posterior das peregrinações. Sugeriu-se que provavelmente era ainda mais curta do que a mencionada aqui. E se, por causa da força, eles chegam a oitenta anos; isto é, "se, por meio de uma força excepcional neste ou naquele indivíduo, eles ocasionalmente chegam a oitenta anos". No entanto, a sua força é trabalho e sofrimento; melhor dizendo, o seu orgulho é apenas vaidade. Eles podem se vangloriar da sua idade; mas que vantagem real isso lhes traz? Depois dos setenta, chegam os anos em que cada homem é forçado a dizer: "Não tenho prazer neles" (Eclesiastes 12:1). Pois a vida passa depressa, e nós voamos. Além disso, mesmo que vivamos até os oitenta, nossa vida nos parece não passar de um palmo, tão depressa ela se esvai, e partimos (Sl. 90:10).
2.3.2. Os dias de nossos anos — Da maioria da humanidade, nesta e em todas as eras seguintes, com exceção de algumas poucas pessoas, são de setenta anos — Tempo que os antigos escritores pagãos também fixaram como o período usual da vida dos homens. E se, por causa da força — Isto é, uma força de constituição acima do normal, que é a causa comum de uma vida mais longa — eles chegam — Em alguns indivíduos — aos oitenta anos — Idade que poucos alcançam; contudo, é a sua força — Sua velhice mais forte e vigorosa; trabalho e tristeza — Cheia de problemas e dores devido às enfermidades da idade, à aproximação da morte e às contingências da vida humana. Pois ela se extingue rapidamente — Nossa força não declina gradualmente, como acontece em nossa idade de florescimento, mas se deteriora rapidamente; não caminhamos nem corremos em direção à morte, como fazemos desde o nosso nascimento, mas voamos velozmente em direção a ela, ou voamos para longe como um pássaro, como significa a palavra נעפה, nagnupha, usada aqui. “Se o período de tempo especificado por Moisés for considerado muito curto para o padrão geral da vida humana naquelas épocas antigas, ainda assim se adequa bem ao caso particular dos israelitas no deserto, cujas vidas foram encurtadas por um decreto expresso, de modo que muitos deles não poderiam chegar aos setenta anos; e aqueles que chegaram, provavelmente logo sentiram um rápido declínio.
3. Salmo 137. Altamente desafiador devido à sua linguagem violenta, especificamente o apelo final para atirar os filhos dos inimigos contra as rochas, criando imensa tensão ética com mensagens de amor e misericórdia de Deus, o Pai, e de Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo (ÊX. 34:6; Sl. 86:15; 103:8; 111:4; 136 [- חֵסֵד – 247 vezes no texto Hebraico do Antigo Testamento]; Jn. 4:2; etc.).
No final do Salmo 137, no versículo 9, o escritor bíblico diz que feliz, abençoado, bem-aventurado - אַשְׁרֵי - é a pessoa que pegar um bebê - עוֹלֵל – (literalmente: uma criança que ainda está sendo amamentada) dos seus inimigos e bater - נָפַץ - com ele, o bebê, na rocha, na pedra - סֶלַע -.
4. Salmo 88. Considerado o salmo “mais sombrio” porque termina sem qualquer resolução, esperança ou louvor, concentrando-se inteiramente no sofrimento e desespero não aliviados. O escritor termina – Salmo 88:18 - dizendo que os seus amigos sãos as trevas - מַחְשָׁךְ – (Sl. 88:6,18).
É importante sublinhar que todos esses salmos podem ser considerados orações dirigidas a Deus. Para Ele, o Eterno, podemos e devemos dizer qualquer coisa, todas as coisas que se encontram em nosso coração e mente. Há coisas que nem pai, nem mãe, nem cônjuge, nem filhos podem ou devem ouvir, mas o nosso Deus transcende a todos e a tudo. Podemos e devemos abrir com toda a sinceridade e honestidade a nossa vida para Deus. Ele não apenas tem o remédio para nós, Ele é o remédio que nos cura.
Pastor Washington Roberto Nascimento