Uma breve introdução à Carta de Tiago

Data publicação 14/04/2022

Uma breve introdução à Carta de Tiago

Pastor Washington Roberto Nascimento

Introdução

A Carta de Tiago é reconhecida como uma das sete cartas universais ou gerais do Novo Testamento, as quais são: Tiago; I e II Pedro; I, II e III João; e Judas. Essas cartas têm esse nome porque foram escritas para cristãos, mas sem um destinatário específico mencionado no texto, como nas outras cartas no Novo Testamento. A designação, Cartas Universais ou Católicas, aparece já no segundo século depois de Cristo, na obra de um dos pais da Igreja de nome Apolônio ou Apolinário, que escreveu combatendo o montanismo, uma heresia que tinha uma ênfase exagerada na volta de Jesus e nos dons do Espírito Santo, proibia o relacionamento sexual entre esposo e esposa, negava o perdão e a reconciliação com a Igreja de Cristo para pessoas que tinham cometido alguns pecados, e exigia uma dieta rigorosa dos crentes. Outros pais da Igreja como Orígenes de Alexandria, de 185 a 254 depois de Cristo, e Eusébio de Cesareia, de 265 a 339 depois de Cristo, também usaram a expressão cartas gerais ou universais.

Esta Carta de Tiago foi o primeiro livro do Novo Testamento a ser escrito e em muitas partes faz lembrar o livro de Provérbios do Antigo Testamento, é bem judaico. Ele, em termos literários, pode ser considerado um livro de sabedoria. Foi um dos últimos a ser considerado canônico. No século IV AD esta Carta de Tiago é citada por Eusébio em sua obra: A História Eclesiástica, ao lado da Carta aos Hebreus, a II Carta de Pedro, II e III Cartas do apóstolo João, Judas e Apocalipse, todas estas obras tinha sua canonicidade ainda questionada pelos líderes da Igreja.

A autoria

Há várias pessoas com o nome de Tiago na Bíblia, pelo menos 6.

1º - Tiago, o menor, isto é, o mais baixo em termos de estatura física, ou o mais jovem - μικρός (esta palavra grega no texto dá possibilidade para todas essas traduções), filho de Maria, e irmão de José (Mc. 15:40);

2º - Tiago, o irmão de Judas, escritor de uma das Cartas do Novo Testamento (Jd. 1:1). Este Tiago é considerado pela tradição cristã como irmão de Jesus, ele e Judas são considerados irmãos de Jesus);

3º - Tiago, apóstolo, que era filho de Alfeu (Mt. 10:1-4; Mc. 3:13-19; Lc. 6:12-16; At. 1:12-14);

4º - Tiago, o pai de Judas, mas este Judas não foi o que traiu a Jesus (Lc. 6:16);

5º - Tiago, irmão de João, ambos filhos de Zebedeu, ambos apóstolos (Mt. 4:21; Lc. 6:14). Este último Tiago, irmão de João, sofreu martírio, por causa da perseguição contra a Igreja de Cristo, de acordo com Atos 12:1-2; ele foi morto por ordem de Herodes Agripa. Há vários reis judeus com o nome de Herodes: Herodes, o Grande, que mandou matar as criancinhas (Mt.2:1, 7, 12, 15, 16, 19); Herodes Antipas, o tetrarca, que mandou matar João Batista (Lc. 3:1; 9:9); Herodes Agripa I (At. 12:1-2) e Herodes Agripa II (At. 25:13, 22-26; 26:1-2, 19, 27, 28, 32).

6º - Tiago, o irmão de Jesus (Mt. 13:55). Sabemos que os irmãos de Jesus não criam dele durante o tempo de Seu ministério terreno (Jo. 7:5), este Tiago, depois de sua conversão, se tornou líder na Igreja em Jerusalém (I Co. 15:7; At. 12:17; 15:3-21; 21:18; Gl. 2:9-12). O escritor desta Carta é Tiago, o irmão de nosso Senhor Jesus Cristo.

No Novo Testamento Grego, o nome do escritor desta Carta é Ἰάκωβος. Este é um nome judaico muito comum naqueles dias e até hoje entre os judeus. Esse é o nome de Jacó, filho de Isaque e Rebeca (Gn. 25), que é citado várias vezes no Novo Testamento (Mt. 8:11; 22:32; Lc. 1:33; At. 3:13; Rm. 9:13; 11:26;  Hb. 11:9).

Porém, a tradução é sempre: Jacó, quando se trata do patriarca do Antigo Testamento; mas sempre Tiago, quando não se trata do patriarca do Antigo Testamento, embora seja a mesma palavra. O certo seria traduzir tudo por: Jacó, pois, certamente, para a Igreja primitiva não havia dois nomes diferentes. As pessoas eram diferentes, mas os seus nomes eram um só. No Hebraico o nome é: יַעֲקֹב (lê-se: Yakov – Gn. 25:26) e foi traduzido para o grego na LXX por Ἰακώβ. No texto do Novo Testamento Jacó, o filho de Abraão é mencionado 27 vezes e sempre com a grafia: por Ἰακώβ. Todos os outros personagens judeus no Novo Testamento que têm o nome de Jacó têm a grafia: Ἰάκωβος e este nome aparece 42 vezes no Novo Testamento.

Destinatário e data

Esta Carta de Tiago foi escrita as doze tribos que se encontram na dispersão, ou diáspora (Tg. 1:2). É claro que não podemos interpretar este texto literalmente. No tempo do Novo Testamento não havia mais 12 tribos. Havia apenas alguns remanescentes das tribos de Judá, Efraim e de Levi. As doze tribos que andam dispersas, isto é, que estão na diáspora - διασπορά – é uma expressão que pode/deve ser compreendida como uma referência a Igreja de Jesus Cristo, aos crentes em geral, judeus e gentios que neste tempo, anos 40 do primeiro século A.D., ainda estavam se reunindo juntos no templo, em sinagogas e em casas.  Só um pouco mais tarde é que nós encontramos os cristãos expulsos das sinagogas e se reunindo em casas, fugindo da perseguição tanto do Império Romano quanto dos judeus que ainda não tinham se convertido a Jesus como o Messias de Deus, o prometido no Antigo Testamento. A palavra διασπορά aparece apenas três vezes no Novo Testamento Grego: João 7:35; Tiago 1:1 e I Pedro 1:1.

No final do primeiro século já encontramos sinais claros de um divórcio entre Cristianismo e Judaísmo. Jerusalém foi o centro do Cristianismo em seus primeiros anos ou em suas primeiras décadas, e os seus líderes principais foram: Tiago, o irmão de Jesus, Pedro, João e Paulo. Mas, a partir do final do primeiro século já temos vários líderes gentios: Clemente de Roma, nascido em Roma – 1º século AD; Clemente de Alexandria, nascido em Atenas, Grécia, mas viveu em Alexandria, Egito, o maior centro intelectual da época – 2º século AD; Justino Mártir, de Roma, 100-165 AD; Inácio de Antioquia, hoje encontra-se na Turquia, 1º século AD; Policarpo de Esmirna, hoje encontra-se, também, na Turquia, nasceu do 1º século AD; Polinário de Hierápolis (Cl. 4:13), 2º século AD, hoje na Turquia; Irineu que nasceu em Esmirna, Turquia, mas que morreu em Lyon, França, 130-202 AD; Tertuliano de Cartago, na África, Tunísia, 2º século AD; Eusébio de Cesareia, 3º e 4º séculos AD, considerado o pai da história da Igreja; todos esses líderes cristãos, entre outros, como Agostinho de Hipona, Argélia, África, 4º século AD; todos eles são gentios e com grande conhecimento não apenas bíblico, mas filosófico.

A expressão: as dozes tribos – soa, à princípio, um destinatário israelita, judaico; mas nesta carta nós temos Tiago chamando os seus leitores de irmão e irmãos (19 vezes - 1:2, 9, 16, 19; 2:1, 5, 14, 15; 3:1, 10, 12; 4:11; 5:7,9, 10, 12, 19);  falando do Senhor Jesus Cristo e de Segunda Vinda(1:1; 5:7,8) e  fazendo referência a Igreja e aos presbíteros, isto é, aos pastores, aos líderes da Igreja, e tudo isso é Cristianismo e não judaísmo.

Na verdade, à luz do Novo Testamento, os escritores do Novo Testamento, Tiago, Paulo, Pedro, João, Judas, Mateus, Marcos, Lucas, todos eles, e os crentes em geral, a Igreja de Jesus Cristo como um todo, todos se viam como herdeiros das promessas de Deus feitas à nação de Israel. Eles criam que eles eram o Povo do Senhor, o Povo de Deus, em quem as promessas de Deus no Antigo Testamento tinham se cumprido. Os planos de Deus se cumpriram na Igreja de Cristo, onde temos a construção de uma nova humanidade, uma nova família, sem muros de separação e discriminação, se cumpre (I Pd. 2:5-10; Gl. 3:22-29; Ef. 2:11-22; etc). No Novo Testamento não é judeu quem o é apenas exteriormente, mas é aquele que o é interiormente: A verdadeira circuncisão é do coração (Rm. 2:28-29; Dt. 10:16). Deus olha o coração, o interior e não o exterior. Na Carta aos Gálatas, onde o apóstolo Paulo fala sobre a salvação pela graça e não pela fé, ele termina sua Carta dizendo que graça e misericórdia sejam sobre todo o Israel de Deus (Gl. 6:16). É claro que o apóstolo Paulo não está falando para o Israel nação, no sentido literal, mas no sentido espiritual. Deus não faz acepção de pessoas, nem cor, nem etnia, nem sexo e em Cristo Jesus, o Seu Filho, somos todos um, somos o Seu Israel, o Israel de Deus.

Os escritores do Novo Testamento, os crentes em geral do primeiro século AD, não se viam como plano C ou B, mas como o plano A de Deus. As promessas feitas a mulher no Eden, a Abraão, ao povo de Israel, a Davi, por meio de todos os escritores do Antigo Testamento se cumpriram em Jesus Cristo e para a Sua Igreja, os seus discípulos.

Esta Carta de Tiago foi, possivelmente, o primeiro livro do Novo Testamento a ser escrito, por volta do ano 45 AD.

Conteúdo

Esta Carta não é uma obra doutrinária, mas um livro com conselhos gerais para os crentes e de encorajamento, pois no primeiro século os cristãos sofreram perseguição de toda sorte.

Esta Carta de Tiago lembra o livro de Provérbios no Antigo Testamento ao tratar de temas tão importantes naquela obra sapiencial. Por exemplo, a palavra sabedoria - σοφία -aparece logo no seu início (Tg. 1:5) e mais três vezes no capítulo 3 de Tiago (Tg. 3:13, 15, 17). Esta palavra - σοφία – sabedoria – aparece 143 no texto grego do Antigo Testamento – a LXX – a Septuaginta. 45 vezes só no livro de Provérbios.  Em hebraico sabedoria é: חָכְמָה (lê-se: rrorrmar) e aparece 149 vezes no texto hebraico, mas foi traduzida 143 vezes por σοφία no texto da LXX.

Além do assunto mencionado acima, há outros assuntos presentes nesta Carta de Tiago que merercem destaque:

1. O sofrimento (Tg. 1:2-3);

2. O tratamento dos órfãos e viúvas (Tg. 1:27);

3. O dever de não menosprezar os pobres (Tg. 2:1-13);

4. A importância das obras como expressão da nossa fé; pois a fé sem obra é nada; a doutrina certa sem humildade, piedade, serviço em favor dos outros, principalmente os mais vulneráveis, é nada (Tg. 2:14-26);

5. O cuidado no uso da língua, em nosso falar, as nossas palavras podem dar vida ou tirar a vida; curar ou ferir, etc. O uso errado da língua tem a ver com a sabedoria do mundo, terrena, demoníaca. O uso certo, proveitoso, inteligente da língua, tem a ver com a sabedoria de Deus que se revela na vida de uma pessoa que sabe o que falar, como falar, quando falar, porquê falar, quanto falar, para que falar, com quem falar (Tg. 3:1-18); quando temos sabedoria no falar, nós promovemos a paz;

6. O valor do interior de nosso ser e não apenas do exterior. O ser interior, o nosso “eu” precisa estar submisso a Deus e não ao mundo ou ao diabo para que tenhamos um relacionamento abençoador com o nosso próximo (Tg. 4:1-17);

7. A volta do Senhor Jesus (Tg. 5:1-20).

8. Etc.

Em síntese, tudo que temos nessa obra de Tiago tem a ver com a necessidade da sabedoria de Deus em nós. A Carta de Tiago é o Novo Livro de Sabedoria no Novo Testamento.

Na verdade, não temos como viver brilhando a luz de Deus neste mundo sem sabedoria. Em Tiago 1:5, a palavra grega - εἰ - traduzida por – se – conjunção condicional, poderia se traduzida por: como – conjunção subordinativa causal que pode ser substituída por: porque.

“Porque/como vocês têm falta de sabedoria, peçam a Deus” (Tg. 1:5). A ideia no grego não é: Se. Não é a ideia de dúvida, hipótese, condicional. Por isso, a melhor tradução seria: como você têm fala de sabedoria, peçam a Deus – O verbo pedir - αἰτέω – está no imperativo. É uma ordem. Portanto, vamos pedir sabedoria a Deus para enfrentarmos as provações e todo e qualquer desafio dessa vida.

Outra citação nesta Carta de Tiago que aponta para a literatura sapiencial é Jó. Tiago cita Jó como um exemplo de como enfrentar o sofrimento com paciência (Tg. 5:11). Tiago ensina a importância da paciência em face da iminente volta do Senhor Jesus Cristo. Ele termina a sua Carta como a começou: falando da alegria, da felicidade mesmo em meio ao sofrimento:

Tiago 1:2-3 - Meus irmãos, tende grande alegria quando cairdes em várias tentações, sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência.

Tiago 5:10-11 - Meus irmãos, tomai por exemplo de aflição e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor. Eis que temos por felizes os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso.

Sem dúvida, a Carta de Tiago é um livro prático e tem muito a ver com a literatura sapiencial.

Esta Cata fala sobre a importância da sabedoria e a importância da fé e das obras. A palavra: obras - aqui, precisa ser compreendida como frutos de uma vida de fé. O escritor apela aos crentes para que sejam não apenas ouvintes da Palavra, mas praticantes; não apenas religiosos, mas crentes, seguidores de Jesus. A fé e as obras são duas coisas de uma mesma realidade: nossa vida com Deus. A fé é com a raiz de uma árvore, invisível. As obras são os frutos da árvore, visíveis. Os crentes são as árvores de Deus que dão seus frutos por causa da fé, das suas raízes em Cristo Jesus.

Nesta carta nós encontramos a palavra sinagoga e igreja (Tg. 2:2; 5:14).

A palavra igreja - ἐκκλησία - em Tiago 5:14 é usada juntamente com a palavra presbítero - πρεσβύτερος - que no Novo Testamento é aplicado ao líder da Igreja, ao pastor também chamado de bispo - ἐπίσκοπος - que tem a tríplice função de aconselhar (presbítero); administrar (bispo) e pastorear - ποιμαίνω -(pastor) a Igreja de Cristo (I Tm. 3:1-2; Tt. 1:5-7; At. 20:17-28).

A palavra equivalente à Igreja no texto hebraico do Antigo Testamento é – קָהָל (lê-se: qarol) que aparece 123 vezes no texto original hebraico, na - תנך - e tem o sentido de convocação, assembleia como a palavra grega: - ἐκκλησία e/ou συναγωγή, é por isso que várias vezes no texto da LXX a tradução da palavra hebraica – קָהָל (lê-se: qarral) – é ἐκκλησία – 77 vezes das 123 ocorrências (Dt. 9:10; 18:16;23:1; 23:2; 23:3; 23:8; Jz. 20:2) ou συναγωγή (Êx. 12:6; Dt. 5:2) etc.

A palavra sinagoga – συναγωγή – em Tiago 2:2, é usado para se referir ao lugar de reunião dos crentes e exatamente como acontece com a palavra Igreja - ἐκκλησία –

O uso desta palavra – συναγωγή – como um lugar comum de culto para os crentes judeus e gentios aponta para um tempo em o cristianismo não havia ainda se separado do judaísmo completamente como uma religião distinta, portanto, antes dos anos 70 e depois de 40.

Bem, como base no que apresentamos nos parágrafos acima, podemos inferir muitas coisas importantes sobre a mensagem, o ensino, a fé dos escritores e crentes em geral do primeiro século. Podemos concluir com base no fato de que essa palavra - ἐκκλησία – foi usada pelos judeus que traduziram a palavra hebraica - קָהָל (lê-se: qarol) – que significa: assembleia e/ou convocação, reunião, congregação do povo de Deus ou do povo de Israel, podemos concluir, afirmamos mais uma vez, podemos dizer que: quando vemos no Novo Testamento o uso da palavra Igreja  - ἐκκλησία - 114 vezes, por todos os escritores, exceto Marcos e o escritor da Carta aos Hebreus, chegamos a conclusão de que os crentes do Primeiro Século se viam como o Povo de Deus, o Israel de Deus em quem e para quem todas as promessas do Antigo Testamento se realizavam, se cumpriam.

Na Carta de Tiago vemos, ainda, Judaísmo e Cristianismo caminhando juntos, mas no Livro de Atos dos Apóstolo temos um pouco desse processo de separação entre Judaísmo e Cristianismo tomando lugar na história.

O Cristianismo vai se estabelecendo mais rapidamente depois da destruição de Jerusalém no ano 70 por parte do Império Romano.

No final do primeiro século e no início do segundo século da Era Cristã, os líderes da Igreja já não tinham mais vínculos com o judaísmo, eram gentios convertidos e com boa formação filosófica, tais como Justino Mártir de Roma, 100-165 AD, Irineu que nasceu em Esmirna, Turquia, mas que morreu em Lyon, França, 130-202 AD, e Tertuliano de Cartago, na Tunísia, África, em 155-220 AD, entre outros.

Outra palavra que queremos destacar no conteúdo desta Carta de Tiago é: O Senhor dos Exércitos – Κυρίου Σαβαὼθ – (lê-se: kirio sabaoth) que no hebraico do Antigo Testamento é: - צְבָאות   יְהוָה – (lê-se: Yerovar tseva´oth), que podemos ler em Tiago 5:4.

Esta palavra – O Senhor dos Exércitos - aparece cerca de 300 vezes no Antigo Testamento e 2 vezes no Novo Testamento (Rm. 9:29 e Tg. 5:4).

O texto do Novo Testamento de Romanos 9:29, onde esta palavra aparece – o Senhor dos Exércitos - Κυρίου Σαβαὼθ – (lê-se: kirio sabaoth) - o apóstolo Paulo está citando Isaías 1:9. Porém, o texto de Tiago 5:4 não é uma citação do Antigo Testamento, trata-se de uma admoestação do escritor Tiago que faz uso deste vocabulário comum no Antigo Testamento para infligir temor aos seus leitores/ouvintes que exploravam os pobres e amavam as riquezas de maneira injusta. Tal uso desta expressão por parte de Tiago revela a influência marcante do pensamento teológico judaico na Carta de Tiago e aponta para esse tempo embrionário do Cristianismo.

Bem, a importância desta Carta de Tiago para nós encontra-se na variedade de assuntos relevantes que ela trata, independente do tempo e lugar. O seu escritor espera que seus leitores tenham uma fé verdadeira, sabedoria que vem de Deus, e que dê bons frutos nas mais diferentes áreas, tempos, circunstâncias desta vida, tais com:

Tempos de provas e tentações;

Tempo de ouvir e falar;

Tempo de controlar a língua e a ira;

Tempo de relacionar com pessoas vulneráveis tais como as viúvas, os órfãos, os estrangeiros, os subempregados, os pobres, etc; trata-los com justiça, amor, sem preconceitos, discriminação, etc.

Tempo de viver a pressão do mundanismo, da pobreza e do sofrimento;

Tempo de não se precipitar em julgar os outros;

Tempo da intimidade com Deus, da paciência e da responsabilidade cristã;

Tempo de aguardar a volta do Senhor Jesus.

Em todos esses tempos precisamos revelar fé e obras, sabedoria.

Creio o versículo chave desta carta é Tiago 1:27 – A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo se guardar incontaminado do mundo.

Esta Carta de Tiago tem uma teologia prática: A fé sem obras é morta (Tg. 2:17, 26).

Que para tanto o Senhor nos dê sabedoria e fé.

Que Deus fale ao seu coração e ao meu, ao longo da leitura e estudo desta Carta de Tiago.

Um forte abraço.