Uma breve palavra sobre antropologia

Data publicação 05/02/2024

Uma breve palavra sobre antropologia

Pastor Washington Roberto Nascimento

1. O que é antropologia?

Antropologia é o estudo da espécie humana (ou humanidade) em todos os tempos e em todos os lugares em suas mais diversas expressões: biológicas, psicológicas, sociais, econômicas, culturais, etc.

A antropologia busca descobrir, compreender, saber como o homem surgiu e se desenvolveu, bem como tudo relacionado a ele: família, religião, culturas, guerras, caça, fazendas, plantação, comércio, etc.

2. A origem da antropologia.

A antropologia, como estudo das sociedades e culturas humanas, tem uma história longa e complexa.

Embora as raízes da antropologia remontem a milhares de anos, a palavra antropologia foi usada pela primeira vez, em seu sentido atual, na Alemanha renascentista, na obra de Magnus Hundt e Otto Casmann, publicada na cidade Leipzig, em 1501, escrita em latim: “Antropologium de hominis dignitate, natura et proprietatibus, de elementis, partibus et membris humani corporis” - Antropologia sobre a dignidade, natureza e propriedades do homem, sobre os elementos, partes e membros do corpo humano.

Essa pelavra, antropologia, derivou da combinação das palavras gregas: - ἄνθρωπος – (lê-se: ántropos – homem, ser humano) e – λόγος – (lê-se: logos – estudo). "estudo". Ela apareceu nas obras de Aristóteles séc. IV a.C.

Foi somente no século XIX que a antropologia começou a emergir como uma disciplina científica.

A antropologia emergiu do Novo Imperialismo do século XIX, quando exploradores europeus entraram em contato com diversos grupos e sociedades nas Américas e na Ásia.

A antropologia tornou-se cada vez mais especializada e profissionalizada como ciência social no século XX.

3. Disciplinas relacionadas com a antropologia

A antropologia é uma disciplina com um compromisso holístico com o “homem”, isto é, com o ser humano, com a humanidade. Por isso, ela abarca, praticamente, todas as demais disciplinas, pois é impossível estudar o ser humano sem levar em consideração:

3.1. A Biologia

3.2. A Sociologia

3.3. A Epistemologia

3.4. A Psicologia

3.5. A Pedagogia

3.6. A Teologia

3.7. A Arqueologia

3.8. A História

3.9. A Filosofia

3.10. A Medicina

Etc.

4. O que é a antropologia da educação?

A antropologia da educação é um campo fascinante que explora a interseção entre antropologia e educação. Vamos nos aprofundar em seu significado:

Holismo e compreensão contextual:

A Antropologia da Educação está enraizada no compromisso da antropologia com o holismo.

Antropologia da educação holística recusa considerar o ser humano - אָדָם - (lê-se: adam – na Bíblia Hebraica – Gn. 1:26,27; 2:5,7; etc.) ou no texto grego da Septuaginta – LXX - ἄνθρωπος – (lê-se: ántropos - Gn. 1:26,27; 2:5,7; etc.) - de forma reducionista, isto é, levando em consideração apenas uma parte do todo. E não apenas isso, por holismo a antropologia da educação recusa, também, considerar o ser humano apenas como o somatório de suas partes. O ser humano como um todo é mais do que a simples soma de suas partes. Todas as dimensões do ser humano são levadas em consideração: físicas, biológicas, mentais, psíquicas, espirituais, sociais, etc.

A antropologia da educação considera o ser humano ao longo do tempo e recusa compartimentar as experiências contemporâneas.

Os antropólogos baseiam-se na teoria social de várias disciplinas (sociologia, estudos religiosos, filosofia, política, economia, etc.) para compreender as práticas educativas no seu contexto cultural mais amplo.

5. O que é Cultura?

O conceito de cultura desempenha um papel fundamental. Em vez de verem a cultura como algo estático, os antropólogos reconhecem-na como produção contínua, algo que as pessoas fazem ativamente, o tempo todo. A cultura de uma pessoa (ou de um povo) tem a ver com seu idioma, sua arte, sua comida, suas roupas, seus valores religiosos, econômicos, etc.

Na revelação bíblica nós temos os valores culturais de seus personagens os quais revelam as marcas de seu tempo, seu espaço geográfico, sua dimensão social, econômica, religiosa, linguística, etc.

O significado de cultura, qualquer que seja ela, é inseparável de estruturas de desigualdade e de poder. Os antropólogos exploram como as práticas culturais se cruzam com as hierarquias sociais.

Relativismo cultural:

A antropologia abraça o relativismo cultural, que envolve a compreensão de uma cultura ou grupo nos seus próprios termos, sem impor padrões externos.

A etnografia, um método fundamental, procura ver e compreender os “outros” a partir da sua perspectiva, saindo dos nossos próprios pontos de vista.

Teoria Social e Métodos Etnográficos:

A teoria social é ao mesmo tempo um precursor e um resultado do estudo etnográfico. Ele estimula tópicos de pesquisa e fornece estruturas conceituais.

Os estudos antropológicos geram teorias sociais aplicáveis além de contextos específicos, ao contrário das generalizações estatísticas da pesquisa quantitativa.

Os métodos etnográficos incluem envolvimento de longo prazo, observação participante, entrevistas e utilização das línguas dos participantes.

Em resumo, a antropologia da educação examina não apenas a escolaridade formal, mas também formas mais amplas de educar encontradas em lares, locais de trabalho e interações sociais.

Cultura é o comportamento peculiar ao Homo sapiens, abrangendo tanto objetos materiais quanto aspectos intangíveis que moldam as sociedades humanas. 

De acordo com o antropólogo inglês do século XIX, Edward Burnett Tylor (1832-1917), a cultura é um “todo complexo” que inclui:

Conhecimento

Crenças

Arte

Moral

Lei

Comércio (trocas)

E outras capacidades e hábitos adquiridos pelos humanos como membros da sociedade.

Em essência, a cultura abrange linguagem, ideias, costumes, rituais e muito mais.

Elementos-chave da cultura:

Linguagem: Fala articulada, onde os significados são atribuídos livre e arbitrariamente aos sons pelos humanos.

Ideias: Conceitos abstratos e construções mentais.

Crenças: Convicções compartilhadas sobre o mundo.

Costumes: Práticas e tradições sociais.

Arte: Expressões criativas.

Moral: Princípios éticos.

Instituições: Estruturas organizacionais.

Ferramentas: Objetos materiais usados na vida diária.

Técnicas: Habilidades práticas.

Rituais e cerimônias: Atos e eventos simbólicos.

Simbolização e Abstração:

A cultura depende de uma habilidade única do ser humano: a simbolização e o pensamento abstrato.

Simbolizar envolve atribuir significados a coisas e eventos além da percepção sensorial.

Esta capacidade de abstração permite-nos criar sistemas culturais complexos.

Em resumo, a cultura é a rica tapeçaria da existência humana, tecida a partir da linguagem, das crenças, dos costumes e das inúmeras formas como expressamos a nossa humanidade partilhada.

6. A etnografia e a antropologia

A etnografia é um ramo da antropologia e do estudo sistemático das culturas individuais, isto é, dos valores ou características de cada povo: língua, semelhança física, valores, história, etc. 

A etnografia explora os fenômenos culturais do ponto de vista do objeto de estudo. A etnografia também é um tipo de pesquisa social que envolve examinar o comportamento dos participantes em uma determinada situação social e compreender a interpretação dos próprios membros do grupo sobre tal comportamento.

Como forma de investigação, a etnografia baseia-se fortemente na observação ativa – na participação do investigador no ambiente ou com as pessoas que estão a ser estudadas, pelo menos em algum papel, e procurando documentar, em detalhe, padrões de interação social e as perspectivas dos participantes. A etnografia busca compreender as pessoas em seus contextos locais.

A etnografia teve a sua origem na antropologia social e cultural no início do século XX, mas espalhou-se por outras disciplinas das ciências sociais, nomeadamente a sociologia, ao longo desse século.

Os etnógrafos utilizam principalmente métodos qualitativos, embora também possam empregar dados quantitativos. A etnografia típica é um estudo holístico e, portanto, inclui uma breve história e uma análise do terreno, do clima e do habitat das pessoas. Uma ampla gama de grupos e organizações tem sido estudada por este método, incluindo comunidades tradicionais, gangues de jovens, cultos religiosos e organizações de vários tipos. Embora, tradicionalmente, a etnografia tenha se baseado na presença física do pesquisador em um ambiente, há pesquisas que usam o rótulo que se baseou em entrevistas ou documentos, às vezes para investigar eventos do passado.

Existe também uma quantidade considerável de etnografia “virtual” ou online, por vezes denominada netnografia ou ciberetnografia.

7. O início da etnografia

O historiador romano Públio Cornélio Tácito foi um etnógrafo prolífico na antiguidade.

O termo etnografia vem do grego - ἔθνος – éthnos: povo, nação; e γράφω - gráphō - eu escrevo - e abrange as maneiras pelas quais os autores antigos descreveram e analisaram culturas estrangeiras. 

Anthony Kaldellis sugere vagamente a Odisseia de Homero como ponto de partida para a etnografia antiga, ao mesmo tempo que observa que as Histórias de Heródoto são o ponto de partida habitual; enquanto Edith Hall argumentou que a poesia homérica carece da coerência e do vigor da ciência etnológica. De Heródoto em diante, a etnografia foi um dos pilares da historiografia antiga.

7.1. A Bíblia

Na Bíblia nós temos referências a vários povos tais como: os judeus, os egípcios, os cananeus, os assírios, os babilônios, os persas, os hititas, os filisteus, os sírios, os gregos, os romanos (italianos), os africanos (Etiópia), os espanhóis, etc.  

Há estudiosos que defendem que a Bíblia introduziu o patriarcado e erradicou o matriarcado. E o martirarcado foi um tempo de paz e harmonia que não mais existe por causa do patriarcado marcado pelo força física, a guerra, a violência. 

7.2 A Odisseia de Homero - em grego clássico: Οδύσσεια – Odýsseia - é um dos dois principais poemas épicos da Grécia Antiga, atribuídos a Homero, séc. IX a.C. É uma sequência da Ilíada, outra obra atribuída a Homero. Trata-se de um poema fundamental no cânone ocidental. Historicamente, é a segunda — a primeira sendo a própria Ilíada — obra da literatura ocidental.

A Odisseia, assim como a Ilíada, é um poema elaborado ao longo de séculos de tradição oral, tendo tido sua forma fixada por escrito, provavelmente no fim do século VIII a.C.

A linguagem homérica combina dialetos diferentes, inclusive com reminiscências antigas do idioma grego.

Composto em hexâmetro dactílico era cantado pelo aedo (cantor), que também tocava, acompanhando, a cítara ou fórminx, como consta na própria Odisseia (canto VIII, versos 43-92) e também na Ilíada (canto IX, versos 187-190).

O poema relata o regresso de Odisseu, ou Ulisses, como era chamado no mito romano, herói da Guerra de Troia e protagonista que dá nome à obra. Como se diz na proposição, é a história do herói de mil estratagemas que tanto vagueou, depois de ter destruído a cidadela sagrada de Troia, que viu cidades e conheceu costumes de muitos homens e que no mar padeceu mil tormentos, quanto lutava pela vida e pelo regresso dos seus companheiros. Odisseu, ou Ulisses, leva dez anos para chegar à sua terra natal, Ítaca, depois da Guerra de Troia, que também havia durado dez anos.

A trama da narrativa, surpreendentemente moderna na sua não-linearidade, apresenta a originalidade de só conservar elementos concretos, diretos, que se encadeiam no poema sem análises nem comentários. A análise psicológica, a análise do mundo interior, não era ainda praticada. As personagens agem ou falam; ou então, falam e agem. E falam no discurso direto, diante de nós, para nós – preparando, de alguma forma, o teatro. Os eventos narrados dependem tanto das escolhas feitas por mulheres, criados e escravos quanto dos guerreiros.

A influência homérica é clara em obras como a Eneida, de Virgílio, Os Lusíadas, de Camões, ou Ulysses, de James Joyce, mas não se limita aos clássicos. As aventuras de Ulisses, a superação desesperada dos perigos, nas ameaças que lhe surgem na luta pela sobrevivência, são a matriz de grande parte das narrativas modernas, desde a literatura ao cinema.

Em português, bem como em diversos outros idiomas, a palavra odisseia passou a referir qualquer viagem longa, especialmente se apresentar características épicas.

Tácito tem etnografias em Agrícola, Histórias e Germânia. A Germânia de Tácito permanece como a única monografia em grande escala sobrevivente de um autor clássico sobre um povo estrangeiro. A etnografia formou um subgênero relativamente coerente na literatura bizantina. A palavra Germânia era o termo usado por autores romanos aos povos germânicos, isto é, da Alemanha.

7.3. Heródoto – O pai da história

Heródoto foi um historiador e geógrafo grego. Ele nasceu no século V a.C. em Halicarnasso (hoje Bodrum, na Turquia).

Foi o autor da história da invasão persa da Grécia, ocorrida no final do século V a.C., conhecida simplesmente como As histórias de Heródoto. Esta obra foi reconhecida como uma nova forma de literatura pouco depois de ser publicada.

Antes de Heródoto, tinham existido crônicas e épicos, e também estes haviam preservado o conhecimento do passado, mas a maioria deles tratava apenas do passado em uma cidade ou região.

Heródoto foi o primeiro a combinar essas narrativas locais para elaborar uma narrativa mais ampla sobre os fatos do passado e a mostrar como sua pesquisa poderia ser importante para a compreensão do presente. A sua criação fez com que lhe fosse concedido o título de "pai da história", pelo escritor romano Cícero. A palavra que Heródoto utilizou para denominar sua obra, historie, que previamente tinha significado simplesmente "pesquisa", tomou a conotação atual de "história".

Heródoto foi acusado, desde a Antiguidade, de ter inventado fatos que narra em sua obra e de não ter submetido as informações que recebeu de forma oral a um exame crítico e de plausibilidade. Contudo, o respeito pelo seu rigor tem aumentado desde a última metade do século XX, sendo atualmente reconhecido não apenas como pioneiro na história, mas também na geografia, etnografia e antropologia.

7.4. A Pedra de Roseta

A Pedra de Roseta é uma estela – coluna/pilar/placa de granodiorito/pedra semelhante ao granito – um monumento/pedra vertical - inscrita com três versões de um decreto emitido em Mênfis, Egito, em 196 a.C., durante a dinastia ptolomaica, em nome do rei Ptolomeu V Epifânio.

Os textos superior e médio estão em egípcio antigo usando escritas hieroglíficas e demóticas, respectivamente, enquanto a parte inferior está em grego antigo.

O decreto tem apenas pequenas diferenças entre as três versões, tornando a Pedra de Roseta a chave para decifrar as escritas egípcias.

A pedra foi esculpida durante o período helenístico e acredita-se que tenha sido originalmente exibida dentro de um templo, possivelmente em Sais ou Sa el-Hagar, que foi uma cidade egípcia na parte ocidental do Delta. Sais foi a capital do Antigo Egito durante a XXIV dinastia. Seu nome no Antigo Egito era Sau e o deus patrono era Neite, também chamada Tehenut, uma antiga Deusa egípcia cujo culto provém do período pré-dinástico, na qual tinha forma de escaravelho, isto é, um inseto; depois foi deusa da guerra, da caça e deusa inventora.

Provavelmente foi movido no final da antiguidade ou durante o período mameluco, e acabou sendo usado como material de construção na construção do Forte Julien, perto da cidade de Rashid (Rosetta), no Delta do Nilo.

Foi encontrado lá em julho de 1799 pelo oficial francês Pierre-François Bouchard durante a campanha napoleônica no Egito. Foi o primeiro texto bilíngue do Antigo Egito recuperado nos tempos modernos e despertou amplo interesse público com seu potencial para decifrar essa escrita hieroglífica anteriormente não traduzida. Cópias litográficas e moldes de gesso logo começaram a circular entre museus e estudiosos europeus. Quando os britânicos derrotaram os franceses, levaram a pedra para Londres nos termos da Capitulação de Alexandria em 1801. Desde 1802, ela está em exibição pública no Museu Britânico quase continuamente e é o objeto mais visitado lá.

O estudo do decreto já estava em andamento quando a primeira tradução completa do texto grego foi publicada em 1803. Jean-François Champollion anunciou a transliteração das escritas egípcias em Paris em 1822; demorou ainda mais para que os estudiosos pudessem ler com confiança as inscrições e a literatura do Egito Antigo. Os principais avanços na decodificação foram o reconhecimento de que a pedra oferecia três versões do mesmo texto (1799); que o texto demótico usava caracteres fonéticos para soletrar nomes estrangeiros (1802); que o texto hieroglífico também o fazia e tinha semelhanças generalizadas com o Demótico (1814); e que caracteres fonéticos também foram usados para soletrar palavras egípcias nativas (1822-1824).

Três outras cópias fragmentárias do mesmo decreto foram descobertas posteriormente, e várias inscrições egípcias bilíngues ou trilíngues semelhantes são agora conhecidas, incluindo três decretos ptolomaicos ligeiramente anteriores: o Decreto de Alexandria em 243 a.C., o Decreto de Canopo em 238 a.C., e o Decreto de Mênfis. decreto de Ptolomeu IV, c. 218 AC. Embora se saiba que a Pedra de Roseta não é mais única, ela foi a chave essencial para a compreensão moderna da literatura e da civilização egípcia antiga. O termo "Pedra de Roseta" é agora usado para se referir à pista essencial para um novo campo de conhecimento.

8. A Europa

8.1. A Reforma protestante

8.2. A Renascença

9. Breves considerações sobre a renascença

A Renascença ou o Renascimento foi um movimento cultural que ocorreu na Europa entre os séculos XIV e XVII. Marcou a transição da Idade Média para a Idade Moderna.

É considerado um movimento de transição porque conservou características da Idade Média ao mesmo tempo em que procurou estabelecer novos paradigmas e romper com a tradição medieval.

Embora tenha se manifestado, sobretudo, no campo cultural, o Renascimento teve impacto sobre a política, economia, religião e mentalidade da sociedade europeia.

O movimento renascentista recebeu esse nome posteriormente, em razão da valorização da Antiguidade Clássica, em especial a cultura greco-romana.  

Ou seja, para os que o denominaram, os renascentistas teriam resgatado a cultura do período Clássico, em oposição ao período de “trevas” medieval.

Esse movimento, contudo, não pode ser entendido como uma ruptura radical com a Idade Média, mas sim como algo gradual.

Da mesma forma que a Idade Média não rompeu plenamente com a Antiguidade, preservando algumas de suas características que se modificaram e se adaptaram a um novo contexto, o Renascimento modificou certas características do período medieval, ao mesmo tempo que manteve outras.

Dessa forma, devemos entender o Renascimento como um processo que deu início a uma nova fase da História, e não uma ruptura radical com o período anterior.

O que foi o período renascentista?

O período do Renascimento, como já dissemos, foi o momento entre os séculos XIV e XVII, passagem da Idade Média para a Moderna, que promoveu a organização e o desenvolvimento cultural, artístico, científico, político europeu. Esse movimento operou uma mudança do pensamento europeu que estava prisioneiro da igreja católica, que tinha poder absoluto sobre tudo e todos. O renascimento teve como base a retomada dos conhecimentos clássicos, desenvolvidos e disseminados por gregos e romanos.

O Renascimento foi importantíssimo para o rompimento com o pensamento medievo, determinado pela igreja católica, por seus dogmas católicos, seu autoritarismo, suas perseguições, etc. A partir do século XV, por causa da renascença. as coisas foram mudando. Pouco a pouco a crença na ciência e a valorização da racionalidade humana tomaram lugar acima dos dogmas religiosos. O movimento não rompeu total e completamente com o modelo de pensamento anterior, mas estabeleceu uma gradual mudança na forma de pensar e agir do homem moderno.

A origem do renascimento

O Renascimento surgiu em um momento em que o pensamento católico medieval estava sendo questionado e a necessidade por explicações racionais e filosóficas estimulava a busca por respostas e uma nova maneira de encarar o mundo.

O renascimento surge quando os pensadores dos séculos XV, XVI e XVII retomam o conhecimento dos greco-romanos, que renasce na passagem da Idade Média para a Moderna, daí o nome do período que faz referência ao renascer da racionalidade, do humanismo e do antropocentrismo dos antigos.

O renascimento, também conhecido como renascença, foi muito importante para o período seguinte conhecido como iluminismo.

As cidades italianas, dentre elas Florença, Veneza e Gênova, são o berço do movimento da renascença, por conta das riquezas acumuladas pela burguesia comercial e nobreza e, no decorrer dos séculos XIV, XVI e XVII, espalha-se para Portugal, Espanha, Holanda, Bélgica e outras regiões europeias.

Contexto histórico do Renascentismo

O período da Baixa Idade Média, que se estendeu dos séculos XI ao XV, foi marcado por um renascimento urbano e pelo declínio da sociedade feudal na Europa.

O feudalismo, predominante durante a Alta Idade Média, começou a entrar em crise, entre outros motivos, pela dinamização do comércio nas cidades.

O crescimento da atividade comercial, por sua vez, guarda relação com as Cruzadas - expedições de caráter religioso, militar e econômico - ocorridas entre os séculos XI e XIII que, entre outros objetivos, visavam recuperar o domínio cristão sobre Jerusalém.

As Cruzadas causaram profundos efeitos econômicos, abrindo novas rotas comerciais e recuperando o domínio ocidental sobre antigos territórios, contribuindo com a recuperação comercial vivida pela Europa.

Esse processo resultou no Renascimento, um movimento cultural muito influenciado pela Antiguidade Clássica e que marcava uma nova maneira com que a sociedade europeia passou a ver o papel do homem no mundo.

Esse movimento se manifestou em diversas áreas, mas principalmente nas artes. O berço do movimento foi a Itália: cidades como Gênova, Veneza, Florença e Roma se beneficiaram com a reabertura do Mediterrâneo para o comércio com o Ocidente, tornando-se o principal palco do Renascimento.

Posteriormente o movimento se espalhou por outras regiões da Europa.

Desenvolvimento cultural e artístico: A produção artística e cultural é a principal marca do Renascimento. Grandes artistas, como Leonardo da Vinci, Michelangelo e Rafael, manifestaram o ideal renascentista em pinturas, esculturas e afrescos, além de desenvolverem estudos em diversas áreas do conhecimento. Novas técnicas foram introduzidas, como as noções de perspectiva e profundidade, a utilização de estudos de anatomia para produção artística, e também uma nova forma de retratar o homem, que passou a ocupar espaço central na arte renascentista. No campo da literatura, nomes como Dante Alighieri, William Shakespeare e Miguel de Cervantes estiveram entre os mais notáveis do período;

Desenvolvimento científico: Estudiosos como Nicolau Copérnico, Galileu Galielei e Giordano Bruno promoveram avanços significativos nas ciências naturais, inclusive alguns que desafiavam dogmas religiosos e provocaram uma série de conflitos com a Igreja Católica;

Antropocentrismo: Inspirado no Humanismo - doutrina filosófica que valoriza o ser humano - é caracterizado por uma mudança de perspectiva, na qual o homem é considerado o centro da criação divina e, consequentemente, do mundo. Apesar de ser oposta ao teocentrismo, que colocava Deus como centro de todas as coisas, o antropocentrismo ainda enxerga uma ligação importante entre o ser humano e Deus. Marca, na verdade, o surgimento de uma nova relação entre sociedade e religião;

Racionalismo: É durante o Renascimento que ganha força o racionalismo, a crença de que o conhecimento e a verdade sobre o mundo poderiam ser alcançados através da razão, se desvencilhando de explicações que atribuíam todas as coisas à vontade divina;

Auge na Itália: O desenvolvimento do comércio no Mar Mediterrâneo e a intensa atividade cultural fizeram com que as cidades da Península Itálica (onde hoje está a Itália, mas à época dividida em várias repúblicas e reinos) fossem o berço do Renascimento. Membros da burguesia, de famílias nobres e até mesmo da Igreja gastavam muitos recursos financiando artistas renascentistas, ficando conhecidos como mecenas. Posteriormente, em especial no século XVI, o movimento se espalhou para outros países da Europa.

Ascensão da burguesia: O renascimento comercial e urbano, a abertura de novas rotas comerciais entre Ocidente e Oriente, e o crescimento do comércio nas cidades europeias promoveram a ascensão da burguesia, que se tornaria um ator político importante na sociedade europeia durante a Modernidade.

Qual é a importância do Renascimento?

O Renascimento foi um período crucial na história europeia, estendendo-se aproximadamente do século XIV ao século XVII. Sua importância é multifacetada e impactou várias áreas, incluindo arte, ciência, filosofia, literatura e política. Aqui estão algumas das razões pelas quais o Renascimento é considerado tão significativo:

Revolução Cultural e Artística: O Renascimento testemunhou uma transformação na maneira como as pessoas viam o mundo. Houve um renascimento do interesse pelas artes e pela cultura clássica da Grécia e Roma antigas. Isso se refletiu na pintura, escultura, arquitetura e literatura da época.

Desenvolvimento do Humanismo: O humanismo, uma abordagem centrada no estudo da natureza humana, floresceu durante o Renascimento. As pessoas começaram a valorizar a educação, a busca do conhecimento e a celebração das capacidades humanas.

Inovações Científicas: O período testemunhou avanços significativos na ciência. Pioneiros como Copérnico, Galileu e Kepler questionaram as visões geocêntricas tradicionais e contribuíram para o desenvolvimento da astronomia e da física.

Invenção da Imprensa: A invenção da prensa de tipos móveis por Johannes Gutenberg no século XV facilitou a disseminação do conhecimento, promovendo a alfabetização e a democratização do acesso à informação.

Desenvolvimento da Perspectiva Artística: Artistas renascentistas como Leonardo da Vinci e Filippo Brunelleschi introduziram novas técnicas artísticas, incluindo a perspectiva, que trouxeram realismo e profundidade às obras de arte.

10. O iluminismo

Os historiadores situam o Iluminismo na Europa (com forte ênfase na França) durante o final do século XVII e o século XVIII, ou, de forma mais abrangente, entre a Revolução Gloriosa de 1688 e a Revolução Francesa de 1789. Representa uma fase na história intelectual de Europa e também programas de reforma, inspirados na crença na possibilidade de um mundo melhor, que delineavam alvos específicos para críticas e programas de ação.

As raízes do Iluminismo podem ser encontradas no humanismo da Renascença, com ênfase no estudo da literatura clássica. A Reforma Protestante, com a sua antipatia pelos dogmas religiosos recebidos, foi outro precursor. Talvez as fontes mais importantes do que se tornou o Iluminismo tenham sido os métodos racionais e empíricos complementares de descoberta da verdade que foram introduzidos pela revolução científica.

Alguns dos escritores mais importantes do Iluminismo foram os filósofos da França, especialmente Voltaire e o filósofo político Montesquieu. Outros filósofos importantes foram os compiladores da Enciclopédia, incluindo Denis Diderot, Jean-Jacques Rousseau e Marquês de Condorcet, Marie Jean Antoine Nicolas de Caritat, que foi um matemático, filósofo, político e revolucionário francês.

Fora da França, os filósofos e economistas escoceses David Hume e Adam Smith, o filósofo inglês Jeremy Bentham, Immanuel Kant da Alemanha e o estadista americano Thomas Jefferson foram notáveis pensadores do Iluminismo.

O iluminismo foi um movimento intelectual europeu dos séculos XVII e XVIII no qual as ideias sobre Deus, a razão, a natureza e a humanidade foram sintetizadas numa visão de mundo que ganhou amplo consenso no Ocidente e que instigou desenvolvimentos revolucionários na arte, na filosofia e na política.

No centro do pensamento iluminista estava o uso e a celebração da razão, o poder pelo qual os humanos compreendem o universo e melhoram a sua própria condição. Os objetivos da humanidade racional eram considerados conhecimento, liberdade e felicidade.

11. As conquistas e o imperialismo dos europeus em relação ao mundo

11.1 África

11.2. Ásia

11.3. América

11.4. O paralelo feito pelos conquistadores entre os estrangeiros, isto é, os povos conhecidos e conquistados, e eles, serviu para eles, os europeus, estabelecerem quem o ser humano é, e eles se estabeleceram como um padrão de civilização para todos os outros povos.

12. A divisão e classificação do ser humano

Baseado no comportamento, nos costumes, no desenvolvimento, nos valores culturais, artísticos, etc. as pessoas eram classificadas assim:

12.1. Selvagem

12.2. Bárbaro

12.3. Civilizado

13. Os primórdios formais da antropologia remontam à segunda metade do século XIX. Aqui estão alguns marcos importantes:

Em 1859, o trabalho inovador de Charles Darwin, Origem das Espécies, introduziu o conceito de evolução, que se tornou fundamental para a antropologia.

No mesmo ano, foi fundada a Sociedade de Antropologia de Paris.

Em Oxford, Inglaterra, Sir Edward Burnett Tylor, muitas vezes considerado o fundador da antropologia moderna, foi o autor do primeiro livro de antropologia em 1871, definindo o conceito de cultura.

Em 1877, Lewis Henry Morgan, um advogado de Nova York, delineou os estágios da evolução cultural.

No final da década de 1870, a antropologia estava emergindo como profissão. O Bureau of American Ethnology dos EUA empregou um antropólogo profissional já em 1879.

A Universidade de Vermont, Estados Unidos, ofereceu o primeiro curso de antropologia geral com crédito universitário em 1886.

O Oberlin College, Estado de Ohio, nos Estados Unidos, fez o mesmo em 1894, oferecendo seu primeiro curso de antropologia. Até 1987, a antropologia estava ligada à sociologia em Oberlin.

O Hunter College, na cidade de New York, também desempenhou um papel, contribuindo para o crescimento do ensino de antropologia nos EUA, no século XIX a.C.

Bibliografia

TYLOR, Edward Burnett. A Ciência da Cultura. Editra Zahar. 38p. 2014.

ANDERSON-LEVITT, Kathryn. M. Editor. Anthropologies of Education - A Global Guide to Ethnographic Studies of Learning and Schooling - 362p. 2011.